instrumento violãoOs sambas-enredo vieram para substituir as antigas marchinhas de carnaval. Hoje, existe um mestre de bateria que coordena mais de 300 instrumentistas. O que antes era feito apenas para a diversão, agora, é competição. Músicas e mais músicas que ilustram episódios da história, relembra alguns ícones brasileiros e, algumas vezes, a realidade do contexto vivido. Os sambas-enredo são escritos pelas escolas e mostrados ao público, a fim de que seja feita uma seleção.

O gosto das comunidades decide qual dos sambas deve ir para a avenida. Muitos hinos entram para história e se tornam marcantes. Além disso, são classificados como antológicos, por critérios puramente populares. Nas votações da competição, os enredos são um dos vários critérios avaliados pelos juízes.

A emissora Globo costuma entrar profundamente na cobertura das escolas de samba do Rio e, assim como as agremiações, ela possui seu enredo e a musa, a chamada Globeleza. É comum ouvirmos na época de carnaval, o seguinte verso: “Lá vou eu, lá vou eu, hoje a festa é na avenida...”. Isso foi apenas para ilustrar o quanto os sambas-enredo são importantes para as escolas e o tanto que eles marcam, da mesma forma que jingles políticos e propagandas.

Abaixo, seguem alguns hinos do carnaval que foram classificados por populares como: “os melhores sambas-enredo”. O primeiro, que agradou a muitas pessoas, foi o samba feito por Paulinho da Viola, para a Portela, em 1971:

“Se um dia meu coração for consultado

Para saber se andou errado

Será difícil negar

Meu coração tem mania de amor

Amor não é fácil de achar

A marca dos meus desenganos

Ficou, ficou

Só um amor pode apagar

A marca dos meus desenganos

Ficou, ficou Porém! Ai, porém!

Há um caso diferente

Que marcou num breve tempo

Meu coração para sempre

Era dia de carnaval

Carregava uma tristeza

Não pensava em novo amor

Quando alguém

Que não me lembro anunciou

Portela, Portela

O samba trazendo alvorada

Meu coração conquistou...

Ah! Minha Portela

Quando vi você passar

Senti meu coração apressado

Todo o meu corpo tomado

Minha alegria voltar

Aquele azul

Não era do céu, nem era do mar

Foi um rio que passou em minha vida

E meu coração se deixou levar!”

Outro marcante na história, além dos milhares que temos, foi o “Yayá do cais dourado”, composição de Martinho da Vila, para a Vila Isabel, em 1969.

“No cais dourado da velha Bahia

Onde estava o capoeira

A Yayá também se via

Juntos na feira ou na romaria

No banho de cachoeira

E também na pescaria

Dançavam juntos

Em todo fandango e festinha

 E no reisado, contra-mestre e pastorinha

Cantavam laralalaialaiá

Nas festa do Alto do Gantois

Mas loucamente a Yayá do cais dourado

Trocou seu amor ardente por um moço requintado

E foi-se embora

Passear em barco a vela

Desfilando em carruagem

Já não era mais aquela

E o capoeira, que era valente, chorou

Até que um dia a mulata

Lá, no cais apareceu

Ao ver seu capoeira, pra ele logo correu

Pediu guarita, mas o capoeira não deu

Desesperada, caiu no mundo a vagar

E o capoeira ficou com seu povo a cantar

Lalaialalará

Cantavam laralalaialaiá

Na festa do Alto do Gantois”

Esses dois cânticos são apenas exemplos dos sambas-enredos que ficam na história, tanto do povo, quanto das próprias escolas de samba. Há outros como: Xica da Silva, do Salgueiro; Memórias póstumas de um sargento de milícias, da Portela; Kizomba, a festa da raça, da Vila Isabel; Macunaíma, Herói da nossa gente, da Portela; Os sertões, do Em cima da hora; O Amanhã, da União da Ilha; Capitães do Asfalto, da São Clemente; e muitos outros.