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Sambas-Enredo das Escolas de Samba
 
Desfile CarnavalNo Rio de Janeiro, São Paulo, nas regiões sul, nordeste, norte e centro-oeste, e em vários lugares do Brasil, no período de carnaval,  acontecem os desfiles. Os mais famosos são o de Rio, São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis, devido à cobertura televisiva que se faz desses eventos. O que começou em Lisboa e foi para o Rio de Janeiro, hoje, toma conta do Brasil inteiro. O carnaval é a festa mais popular do país. As agremiações cresceram juntamente com a festividade.

Assim como nas competições esportivas – citemos o futebol – no carnaval, existem disputas entre as associações. São divididos em séries: primeira divisão e segunda divisão.  O Rio de Janeiro possui se Grupo Especial com 14 escolas de samba – a mesma quantia do carnaval paulista. Dessas, até 2011, a que mais conquistou títulos, no Rio de Janeiro, foi a Portela: 21 conquistas; seguida da Estação Primeira de Mangueira, com 18 e a Beija-Flor de Nilópolis, com 12.

A Portela teve seu primeiro samba-enredo antológico, no ano de 1953, com o hino “Seis datas Magnas”, de Althair Prego e Candeia:

“Foi Tiradentes o Inconfidente
E foi condenado à morte
Trinta anos depois, o Brasil tornou-se independente
Era o ideal de formar um país livre e forte
Independência ou morte
Dom Pedro proferiu
Mais uma nação livre era o Brasil
Foi em 1865, que a história nos traz
Riachuelo e Tuiuti foram duas grandes vitórias reais
Foram os marechais Deodoro e Floriano e outros vultos mais
Que proclamaram a República e, tantos anos após, foram criados
Hinos da pátria amada
Nossa bandeira foi aclamada
Pelo mundo todo desfraldada.”




Em 1955, a Estação Primeira de Mangueira teve também seu primeiro samba-enredo considerado antológico: "As Quatro Estações". No ano seguinte, outro cântico que marcou a história: “O Grande Presidente”, homenagem ao presidente do Brasil Getúlio Dorneles Vargas, composta pelo mestre Jamelão:

“No ano de 1883
No dia 19 de abril
Nascia Getúlio Dorneles Vargas
Que mais tarde seria o governador do nosso Brasil
Ele foi eleito a deputado
Para defender as causas do nosso país
E na revolução de 30 ele aqui chegava
Como substituto de Washington Luís
E do ano de 1930 pra cá
Foi ele o presidente mais popular
Sempre em contato com o povo
Construindo um Brasil novo
Trabalhando sem cessar
Como prova em Volta Redonda a cidade do aço
Existe a grande siderúrgica nacional
Que tem o seu nome elevado no grande espaço
Na sua evolução industrial
Candeias a cidade petroleira
Trabalha para o progresso fabril
Orgulho da indústria brasileira
Na história do petróleo do Brasil

Ô Ô

Salve o estadista idealista e realizador
Getúlio Vargas
O grande presidente de valor

Ô Ô”


Bateria Escola de SambaO interessante dos sambas-enredo é a riqueza cultural que há neles e, em conjunto com a música, fica agradável de aprender. Com horas de leitura, o indivíduo descobriria a importância de Vargas; no entanto, com o samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira, em poucos minutos, observam-se  as influências do governo populista de Vargas. Isso é cultura brasileira!

 As escolas são subdivididas em: Grupo Especial, que são aqueles em que disputam as grandes associações carnavalescas; o Grupo de Acesso, classificadas como tal, pois fazem parte de divisões inferiores; e os Afoxés, que são os candomblés de rua. Algumas regiões possuem esses pequenos grupos de rua. A saber, afoxé, na língua dos iorubás – grupo étnico da Nigéria – significa “faz acontecer”.

Em São Paulo, totalizam 14 escolas que participam do Grupo Especial, ou seja, a primeira divisão. Oito delas compõem o Grupo de Acesso e tem apenas dois afoxés. De todas as agremiações saem os sambas-enredo, que é um dos elementos de avaliação das escolas de samba. Uns marcaram época, como, por exemplo, “Exaltação a Tiradentes”, de 1949, da Império Serrano, foi o 1º samba-enredo da história do carnaval.

Cada escola prepara seu samba-enredo, que deve estar casado ao tema, bem como as fantasias, carros alegóricos, cores e etc.   Em meio a todos esses detalhes, o samba é feito pelos grandes compositores das agremiações. Inspirados, eles prestam homenagens à pessoas ou ocasiões históricas, como, por exemplo, a libertação dos escravos, a Proclamação da República e outros.

Situações são temas para os enredos de carnaval: a seca do Nordeste já foi um samba-enredo. Os enredos se baseiam também em entidades e religiões. Na verdade, mais para as religiões que não seguem a linha judaico-cristã, uma vez que o carnaval é considerado como festa pagã.

Entre as inúmeras escolas existentes, devemos lembrar que, mais enfaticamente, Rio e São Paulo, se destacam aquelas que fizeram as mais belas trilhas musicais. A Beija-Flor de Nilópolis costuma compor hinos bem elaborados, como é o caso do samba-enredo do carnaval de 2011, em que fizeram homenagem ao rei Roberto Carlos:

“A saudade
Vem pra reviver o tempo que passou
Ah! Essa lembrança que ficou
Momentos que não esqueci
Eu cheio de fantasmas na luz do rei menino
Lá no seu Cachoeiro
E lá vou eu... de Calhambeque a onda me levar
Na jovem guarda o rock a embalar... vivendo a paixão
Amigos de fé guardei no coração

Quando o amor invade a alma... é magia
É inspiração pra nossa canção... poesia
O beijo na flor é só dizer
Como é grande o meu amor por você

Nas curvas dessa estrada a vida em canções
Chora viola! Nas veredas dos sertões
Lindo é ver a natureza
Por sua beleza clamou em seus versos
No mar navegam emoções
Sonhar faz bem aos corações
Na fé com o meu rei seguindo
Outra vez estou aqui vivendo esse momento lindo
De todas as Marias vêm as bênçãos lá do céu
Do samba faço oração, poema, emoção!

Meu Beija-Flor chegou a hora
De botar pra fora a felicidade
Da alegria de falar do rei
E mostrar pro mundo essa simplicidade”



Os carnavais começaram no Rio de Janeiro e com ajuda das Organizações Globo, a festividade ganhou grande visibilidade. Por isso, o carnaval carioca é mais divulgado que os demais, o que faz parecer que só as escolas do Rio têm sambas-enredo bonitos. As agremiações paulistas possuem suas trilhas antológicas; porém, não tão divulgadas.

A classificação das cantigas carnavalescas é uma coisa bem individual. O gosto é particular: cada um tem o seu – bem, é o que diz os jargões populares. Os paulistas marcaram a época no carnaval. A Rosa de Ouro recebeu uma marchinha feita por Chiquinha Gonzaga: a famosa “Ô abre alas”. Em 1971, o grupo de São Paulo, Vai Vai – campeã de 2011 – entrou no carnaval com o samba-enredo que homenageia a Independência do Brasil. O título da canção é a famosa frase de D. Pedro, às margens do rio Ipiranga: “Independência ou morte!”.
 
 
 
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