banda de carnaval

O movimento, que hoje é denominado de carnaval, começou nas ruas do Rio de Janeiro.

O povo se animou e o entrudo, antigo carnaval, alcançou tamanha proporção, tal qual vemos em nossos dias. As festas de carnaval tornaram-se uma marca na história e em nossa cultura.

História das Marchinhas de Carnaval

Grandes compositores criaram as marchinhas. Em sua maioria são bem alegres e animadas. A primeira grande e mais famosa, no Brasil, é “Ô, abre alas” de Chiquinha Gonzaga. A marchinha fez sucesso no início do século XX e foi feita para a escola Rosa de Ouro. Abaixo, segue a marcha:

Ô, Abre Alas - Chiquinha Gonzaga

“Ô abre alas que eu quero passar

Ô abre alas que eu quero passar

Eu sou da Lira

Não posso negar

Ô abre alas que eu quero passar

Rosa de Ouro é quem vai ganhar”

Mamãe eu Quero - Vicente Paiva e Jararaca

Nós a conhecemos por causa da pequena notável, Carmen Miranda, que interpretou a marcha: “Mamãe eu quero”. Essa marchinha já se tornou paródia por várias vezes, sem contar que a artista levou um pedaço de nossa cultura para o exterior. A marcha foi composta, em 1936, por Vicente Paiva e Jararaca.

“Mamãe eu quero, mamãe eu quero

Mamãe eu quero mamar

Dá a chupeta, dá a chupeta

Dá a chupeta pro bebê não chorar

Dorme filhinho do meu coração

Pega a mamadeira e vem entrá pro meu cordão

Eu tenho uma irmã que se chama Ana

De piscar o olho já ficou sem pestana

Olho as pequenas mas daquele jeito

Tenho muita pena não ser criança de peito

Eu tenho uma irmã que é fenomenal

Ela é da bossa e o marido um boçal”

Allah-Lah-Ô - Haroldo Lobo e Antônio Nássara

As marchinhas não são muito conhecidas pelas gerações atuais. Um dos motivos pode ser o fato dos sambas-enredo terem tomado conta do cenário e deixado de lado as tão animadas marchas. Por exemplo, os mais experientes nessa vida devem saber as letras todas, porém, os mais novos, podem identificar pelo menos o refrão. Essa canção foi escrita em 1940 por Haroldo Lobo e Antônio Nássara.

“Allah-lah-ô, ô ô ô ô ô ô ô

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô

O Sol estava quente

Queimou a nossa cara

Viemos do Egito

E muitas vezes nós tivemos que rezar

Allah! Allah! Allah, meu bom Allah!

Mande água pra ioiô 

Mande água pra iaiá

Allah, meu bom, Allah!”

Maria Sapatão - José Roberto Kelly

Outra marchinha de carnaval que fez sucesso foi a composição de José Roberto Kelly e que se popularizou com o José Aberlardo Barbosa, o velho guerreiro, Chacrinha. Ele cantava junto com suas musas – chacretes – a música “Maria Sapatão”:

“Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão

De dia é Maria,

De noite é João

O sapatão está na moda

O mundo aplaudiu

É um barato é um sucesso

Dentro e fora do Brasil”

Me dá um dinheiro aí - Ivan, Homero e Glauco Ferreira

Essa é bem famosa. Quem, quando esteve sem dinheiro, não cantou essa canção por brincadeira? Tudo bem. Nem todo mundo cantou, mas é uma marcha bem famosa. O hino pode retratar a realidade do povo, que de tantas contas, não sobra um vintém para gastar. A marchinha foi composta, em 1959, pelo trio Ferreira: Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira.

“Ei, você aí!

Me dá um dinheiro aí!

Me dá um dinheiro aí!

Não vai dar?

Não vai dar não?

Você vai ver a grande confusão

Que eu vou fazer bebendo até cair

Me dá me dá me dá, ô!

Me dá um dinheiro aí!”

Olha a cabeleira do Zezé - João Roberto Kelly e Roberto Faissal

João Roberto Kelly e Roberto Faissal compuseram uma marcha, em 1963, a qual colocava certa desconfiança contra um indivíduo: o Zezé. Ele tinha uma cabeleira que gerava essa tal pulga atrás da orelha.

“Olha a cabeleira do Zezé

Será que ele é

Será que ele é

Será que ele é bossa nova

Será que ele é Maomé

Parece que é transviado

Mas isso eu não sei se ele é

Corta o cabelo dele!

Corta o cabelo dele!”

Aurora - Mário Lago e Roberto Roberti

Uma cantiga que fez bastante sucesso e que foi escrita, em 1940, por Mário Lago e Roberto Roberti, fala de Aurora. Essa canção foi composta numa quarta-feira de cinzas, após o carnaval, e marcou época.

“Se você fosse sincera

Ô ô ô ô ô Aurora

Veja só que bom que era

Ô ô ô ô ô Aurora

Um lindo apartamento

Com porteiro e elevador

E ar refrigerado

Para os dias de calor

Madame antes do nome

Você teria agora

Ô ô ô ô ô Aurora”

Você pensa que cachaça é agua - Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro e Heber Lobato

A música para qualquer folião que não sabe beber, digamos, socialmente. Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro e Heber Lobato, em 1953, escreveram uma marcha para os amantes da velha cachaça.

“Você pensa que cachaça é água

Cachaça não é água não

Cachaça vem do alambique

E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida

Arroz, feijão e pão

Pode me faltar manteiga

E tudo mais não faz falta não

Pode me faltar o amor

Há, há, há, há!

Isso até acho graça

Só não quero que me falte

A danada da cachaça”

Está chegando a Hora - Rubens Campos e Henricão

confetes e serpentinasA música típica de fim de festa e das bandas marciais nos desfiles da independência. Hino de Rubens Campos e Henricão, feito em 1942.

Quem parte

Leva saudades de alguém

Que fica chorando de dor

Por isso eu não quero lembrar

Quando partiu

Meu grande amor Ai, ai, ai

Está chegando a hora

O dia já vem raiando, meu bem

E eu tenho que ir embora”

A Turma do Funil - Mirabeau, M de Oliveira e Urgel de Castro

A turma do funil era o apelido dado ao grupo de pessoas que bebia além da conta. Em homenagem aos beberrões do carnaval, Mirabeau, M de Oliveira e Urgel de Castro criaram essa marchinha.

“Chegou a turma do funil

Todo mundo bebe

Mas ninguém dorme no ponto

Ai, ai, ninguém dorme no ponto

Nós é que bebemos e eles ficam tontos

Eu bebo sem compromisso

Com meu dinheiro

Ninguém tem nada com isso

Aonde houver garrafa

Aonde houver barril

Presente está a turma do funil”